Empate emocionante marca a noite de gala no Camp Nou: Barcelona 2 x 2 Brasil
Barcelona, 29 de abril de 1999 – Em uma noite inesquecível de celebração, o FC Barcelona e a Seleção Brasileira protagonizaram um espetáculo digno dos 100 anos de história do clube catalão. Diante de mais de 80 mil torcedores lotando o Camp Nou, as duas equipes empataram em 2 a 2 em um amistoso não oficial que uniu estrelas de múltiplos continentes e proporcionou lances de alto nível técnico. O resultado foi o de menos importância: o que ficou foi a magia do futebol e o brilho de craques como Ronaldo, Rivaldo, Romário, Figo e Guardiola.
O jogo, marcado para as comemorações do centenário do Barcelona – fundado em 29 de novembro de 1899 –, foi o ponto alto de uma série de eventos que se estenderam por quase um ano. Antes da bola rolar, uma emocionante homenagem reuniu cerca de 250 ex-jogadores do clube em campo. O público presente ovacionou longamente esses veteranos, muitos dos quais ajudaram a construir a lenda blaugrana. Apenas 79 não puderam comparecer, mas o gesto simbolizou o respeito à história de “mais que um clube”. Em seguida, o espetáculo principal começou.
Louis van Gaal, treinador do Barcelona, escalou uma equipe competitiva: Hesp; Reiziger, Abelardo, Frank de Boer, Sergi; Guardiola, Luis Enrique, Cocu; Figo, Kluivert e Zenden. No banco, nomes como o jovem Xavi Hernández e Sonny Anderson. Do lado brasileiro, o técnico Wanderley Luxemburgo optou por um time recheado de talentos: Rogério Ceni; Zé Maria (depois Rogério Fidelis), Odvan, Scheidt, Roberto Carlos; Conceição, Emerson; Amoroso (Giovanni), Rivaldo, Romário e Ronaldo.
O ritmo foi intenso desde o início. A Seleção Brasileira, mesmo em compromisso amistoso, mostrou a qualidade que a tornou pentacampeã mundial poucos meses depois, na Copa de 1998 (vice). Aos 29 minutos, o fenômeno Ronaldo abriu o placar com uma finalização típica de sua genialidade. O atacante, então no Inter de Milão e retornando ao Camp Nou onde brilhou na temporada 1996/97, fintou o goleiro Ruud Hesp e empurrou para as redes. Camp Nou aplaudiu o talento, mesmo sendo adversário.
A reação catalã não demorou. Cinco minutos depois, aos 34’, Luis Enrique empatou. O gol nasceu de um erro do goleiro Rogério Ceni, que não segurou firme uma bola, permitindo ao atacante espanhol voleio de curta distância. O empate trouxe equilíbrio e abriu espaço para duelos individuais fascinantes: Roberto Carlos contra Figo na esquerda, Rivaldo (jogador do Barcelona, mas defendendo o Brasil) contra seus companheiros de clube, e o experiente Romário tentando explorar espaços na frente.
Ainda no primeiro tempo Rivaldo colocou o Brasil em vantagem. Com um belo chute de fora da área, com a perna esquerda, o meia-atacante desequilibrou o marcador e fez 2 a 1 para a Seleção. O gol foi aplaudido de pé pela torcida blaugrana, que reconhecia o talento do seu jogador mesmo em campo adversário.
No entanto, o Barcelona não se entregou. No segundo tempo Phillip Cocu empatou novamente (aos 62' minutos). Figo cobrou falta perigosa, Rogério Ceni espalmou mal e o holandês empurrou para o gol vazio de perto. O Camp Nou explodiu de alegria. O 2 a 2 refletiu fielmente a paridade entre duas equipes de alto nível.
O 2 a 2 reflete a paridade entre duas equipes de alto nível. Para o Barcelona, foi oportunidade de testar peças e celebrar sua história. Para o Brasil, um preparativo valioso em ano de Copa América e com olhos na classificação para o Mundial de 2002. Destaques individuais: Ronaldo e Rivaldo pelo lado verde-amarelo; Luis Enrique, Figo e Cocu pelo lado catalão. No final, Ronaldo e Figo trocaram camisas – gesto que simbolizou o respeito mútuo entre dois dos maiores jogadores da época. Anos depois, ambos vestiram a camisa do Real Madrid nos Galácticos.
Contexto histórico e importância: Este amistoso não foi apenas um jogo. Representou o encontro entre o futebol clube e o futebol seleção em um momento único. Clubes contra seleções não são comuns, e este ficou marcado na memória dos amantes do esporte. O Barcelona, sob Van Gaal, vivia uma fase de transição, mas contava com estrelas como Figo (que seria Ballon d’Or em 2000) e o capitão Guardiola, pilar do meio-campo. A Seleção, com Luxemburgo, mesclava experiência (Romário) e juventude/talento explosivo (Ronaldo, Roberto Carlos, Rivaldo).
A transmissão para cerca de 50 países reforçou o alcance global do evento. Mais de 80 mil sócios e torcedores lotaram o estádio, criando uma atmosfera de festa. O gramado do Camp Nou, sempre impecável, permitiu um futebol fluido, com toques rápidos e jogadas de efeito. Roberto Carlos, com seus famosos chutes potentes, e Figo, com dribles desconcertantes, foram alguns dos que mais encantaram. Do ponto de vista tático, o Brasil explorou transições rápidas, aproveitando a velocidade de Ronaldo e Amoroso. O Barcelona, fiel ao estilo de Van Gaal, buscava posse de bola e triangulações no meio, com Guardiola orquestrando. Os gols de bola parada e erros de goleiro mostraram que, mesmo em amistoso, a concentração era alta.
Legado do jogo: Vinte e quatro horas após o apito final, o que permanece é o legado. Para o Barcelona, a celebração do centenário ganhou contornos épicos. O clube reforçou sua imagem internacional e a conexão com torcedores. Para a Seleção Brasileira, serviu como teste de luxo antes de compromissos mais sérios. Muitos dos jogadores em campo escreveriam história nos anos seguintes: Xavi se tornaria lenda no Barça, Ronaldo conquistaria o mundo, Rivaldo seria fundamental em conquistas. Em tempos de futebol cada vez mais polarizado entre clubes e seleções, este tipo de confronto lembra a essência do esporte: o prazer de ver os melhores em campo, independentemente da camisa. O empate de ontem à noite não teve perdedores. Apenas vencedores: o futebol e os 80 mil que lotaram o Camp Nou.
O Barcelona segue sua jornada centenária com orgulho. A Seleção Brasileira volta para casa com a certeza de que, mesmo em noite de gala alheia, honrou a camisa amarela. Que noites como esta se repitam – o mundo do futebol agradece.
➯ Jogo comemorativo do Centenário do Fútbol Club Barcelona (1899-1999);
➯ Este amistoso serviu de preparação, do Brasil, para a Copa América, em Junho;
➯ Observação: Choveu muito durante todo o jogo. O que prejudicou, um pouco, o espetáculo;
➯ Curiosidade: Roger García Junyent e Òscar García Junyent são irmãos;
➯ Uniforme do Brasil: Camisa Amarela, Calção Azul e Meias Brancas (Nike);
➯ Uniforme do FC Barcelona: Camisa Azul-Grená, Calção Azul e Meias Azuis (Nike);
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