Brasil vence Egito por 4 a 3 em jogo eletrizante na estreia da Copa das Confederações
Bloemfontein, 16 de junho de 2009 – O que era para ser uma estreia tranquila da Seleção Brasileira na Copa das Confederações transformou-se em um espetáculo de sete gols, reviravoltas dramáticas e emoção até o apito final. No Free State Stadium, diante de 27.851 torcedores, o Brasil superou o Egito por 4 a 3, com Kaká brilhando ao marcar duas vezes, incluindo o pênalti decisivo nos acréscimos. Uma vitória suada, que deixa a equipe de Dunga com três pontos no Grupo B, mas serve como alerta para os desafios que virão.
Desde os primeiros minutos, o jogo prometeu ser aberto. O Brasil, vigente campeão da competição, entrou com força total: Júlio César no gol; Dani Alves, Lúcio, Juan e Kléber na defesa; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká no meio; Robinho e Luís Fabiano no ataque. O Egito de Hassan Shehata, campeão africano, não veio para fazer figuração. Com Essam El-Hadary no gol e nomes experientes como Ahmed Hassan, Mohamed Aboutrika e Mohamed Zidan, os Faraós mostraram que estavam prontos para incomodar.
Aos 5 minutos, o Brasil abriu o placar de forma magistral. Dani Alves lançou Kaká, que, com sua elegância característica, driblou três marcadores com toques precisos e finalizou com frieza para fazer 1 a 0. A torcida brasileira presente no estádio explodiu, e parecia que a Seleção tomaria conta do jogo. No entanto, o Egito respondeu com velocidade impressionante. Apenas quatro minutos depois, aos 9', Mohamed Zidan aproveitou um cruzamento e cabeceou com precisão, empatando o marcador em 1 a 1. Um gol que silenciou parte da torcida e mostrou a perigosa capacidade de contra-ataque dos egípcios. O ritmo não diminuiu.
Aos 11 minutos (ou 12' conforme algumas contagens precisas), o Brasil voltou à frente. Elano cobrou falta com perfeição, Luís Fabiano subiu mais alto que a zaga e cabeceou para o fundo das redes: 2 a 1. O centroavante, em grande fase, confirmava sua importância no esquema de Dunga. O primeiro tempo ainda reservaria mais emoção. Aos 37', em cobrança de escanteio, Juan, o zagueiro-artilheiro, subiu soberano e testou de cabeça para ampliar para 3 a 1. Até ali, o Brasil dominava, mas o Egito já demonstrava que não se entregaria facilmente.
No intervalo, a sensação era de que o jogo estava controlado. Dunga deve ter pedido manutenção da intensidade e atenção à marcação, especialmente nas bolas paradas e contra-ataques rápidos. Mas o Egito voltou do vestiário com outra postura. Aos 54', Mohamed Shawky, de fora da área, soltou uma bomba que Júlio César não conseguiu defender: 3 a 2. O estádio sentiu a pressão. E o pior estava por vir. Apenas um minuto depois, aos 55' ou 56', Zidan novamente! O atacante egípcio completou mais uma jogada veloz e empatou o jogo em 3 a 3. Em poucos minutos, o Egito havia operado uma virada impressionante dentro do jogo.
O Free State Stadium virou um caldeirão. O Brasil, atordoado, precisou buscar forças para reagir. Dunga mexeu na equipe: Ramires e Pato entraram, dando mais velocidade e opções ofensivas. O time brasileiro passou a pressionar mais, mas o Egito se defendia com garra e explorava espaços. O jogo ficou franco, com chances para os dois lados. Júlio César fez defesas importantes, e El-Hadary também evitou gols brasileiros.
A decisão veio nos instantes finais. Aos 43' minutos do 2º tempo, Ahmed El Mohammadi – que havia entrado no segundo tempo – cometeu mão na bola dentro da área. Pênalti claro. Kaká, com a calma de um craque mundial, deslocou o goleiro e converteu: 4 a 3 para o Brasil. O alívio foi geral. Jogadores se abraçaram, a torcida invadiu o campo com cânticos. Uma vitória épica, construída na raça e na qualidade individual.
Análise do desempenho brasileiro: Kaká foi, sem dúvida, o grande nome da partida. Além dos dois gols, o meia do Milan ditou o ritmo, criou chances e decidiu quando mais precisava. Luís Fabiano mostrou faro de gol e foi fundamental no primeiro tempo. A defesa, com Lúcio e Juan sólidos no jogo aéreo, sofreu no segundo tempo com a velocidade egípcia, mas respondeu à altura. Júlio César evitou um placar pior em alguns momentos críticos. Dunga, em sua gestão, aposta em um time equilibrado, com marcação forte e transições rápidas.
Esta partida mostrou que o grupo ainda precisa ajustar a concentração, especialmente após abrir vantagem. O meio-campo, com Gilberto Silva e Felipe Melo, deu consistência, mas o Egito explorou bem os espaços entre as linhas. Pelo lado egípcio, Zidan foi o destaque absoluto, com dois belos gols. Shawky contribuiu com o chute potente. O técnico Hassan Shehata pode se orgulhar do desempenho, mesmo na derrota. O Egito provou ser competitivo e capaz de enfrentar os grandes. Eles ainda têm chances de classificação, dependendo dos outros resultados do grupo (Itália e Estados Unidos jogaram na sequência).
Contexto da competição: Esta foi a primeira rodada do Grupo B, que conta ainda com Itália e Estados Unidos. O Brasil lidera provisoriamente e agora se prepara para os próximos desafios. A Copa das Confederações serve como preparação importante para a Copa do Mundo de 2010, que será disputada aqui na África do Sul. O torneio reúne os campeões continentais e o anfitrião, oferecendo jogos de alto nível. A vitória brasileira, apesar do susto, reforça o status de favorito. Mas também serve como lição: futebol não se ganha apenas com talento. É preciso garra, atenção e humildade em todos os minutos. Kaká, após o jogo, destacou a importância de manter o foco: "Sabíamos que seria difícil.
O Egito é uma grande equipe. Feliz pela vitória e pelos gols, mas temos que melhorar". No gramado do Free State Stadium, o sol sul-africano testemunhou um clássico moderno. Sete gols, belas jogadas, drama e um final de cinema. O Brasil sai com os três pontos, mas o Egito sai de cabeça erguida. Para os torcedores brasileiros, a sensação é de alívio misturado a empolgação. A Seleção está viva, vibrante e pronta para mais.
➯ Aos 42'/2º tempo o jogador o meio-campista El Mohamnadi tirou a bola, com o braço em cima da linha. No início o árbitro marcou apenas escanteio mas, depois das reclamações dos brasileiros, e atendendo a seu assistente, marcou o pênalti e expulsou o jogador do Egito (Ahmed El Mohamnadi);
➯ Esta foi a primeira vez que Brasil e Egito se enfrentaram na Copa das Confederações;
➯ Melhor Jogador da Partida (Player of The Match): Kaká, meia-atacante do Brasil;
➯ Uniforme do Brasil: Camisa Amarela, Calção Azul e Meias Brancas (Nike);
➯ Uniforme do Egito: Camisa Vermelha, Calção Branco e Meias Pretas (Puma);
❏ Todos os Jogos: Brasil x Egito (Head to Head: Brazil vs Egypt) →
Nenhum comentário:
Postar um comentário