Zebra Hitórica: Brasil Perde para a Noruega, em Marselha, pela Copa do Mundo de 1998
Marselha, 24 de junho de 1998 — Em uma das maiores zebras da história recente das Copas do Mundo, a Noruega derrotou o Brasil por 2 a 1 ontem à noite, no Stade Vélodrome, em uma partida eletrizante válida pela terceira rodada do Grupo A da Copa do Mundo da França. O gol de Bebeto, aos 78 minutos, parecia garantir mais uma vitória tranquila da Seleção, mas Tore André Flo empatou aos 83' e Kjetil Rekdal, de pênalti, virou o placar aos 89', selando uma noite histórica para os vikings. O resultado, embora não tenha eliminado o Brasil (que já estava classificado como primeiro do grupo), custou caro à Noruega? Não: os escandinavos garantiram a segunda posição e avançaram para as oitavas de final, onde enfrentarão a Itália. Para o Brasil, foi um susto. Mário Zagallo, o treinador, escalou uma equipe quase titular, mas viu seu time cair diante da garra, organização e oportunismo norueguês.
Um jogo de contrastes: O primeiro tempo foi de poucas emoções. O Brasil dominou a posse de bola, como era esperado, com Ronaldo, Rivaldo, Bebeto e Denílson tentando criar. A Noruega, treinada por Egil Olsen, se fechou bem, apostando em contra-ataques rápidos e bolas aéreas. O goleiro Frode Grodås fez defesas importantes, especialmente em finalizações de Ronaldo e Rivaldo. A torcida brasileira, que lotou boa parte do Vélodrome (público total de cerca de 55 mil), esperava uma goleada. Afinal, a Seleção havia vencido a Escócia por 2 a 1 na estreia e goleara o Marrocos por 3 a 0 na segunda rodada. Parecia questão de tempo para o gol sair. Mas a Noruega segurou firme. O zagueiro Henning Berg e companhia neutralizaram as principais ameaças amarelas. O zero no placar ao intervalo refletia o equilíbrio. O Brasil tinha mais volume, mas faltava capricho na finalização. A Noruega esperava o momento certo para explorar as costas da defesa brasileira, que não contava com Aldair (suspenso).
A virada épica: Aos 78 minutos, o Brasil enfim abriu o placar. Denílson cruzou da esquerda e Bebeto, de cabeça, mandou para o fundo das redes. 1 a 0. Explosão da torcida verde-amarela. Parecia o início do show. Zagallo sorria na beira do campo. Muitos já pensavam no confronto das oitavas. Mas a Noruega não se entregou. Apenas cinco minutos depois, aos 83', veio o empate. Em um contra-ataque rápido, Stig Inge Bjørnebye lançou Tore André Flo, que invadiu a área e finalizou com categoria, sem chance para Taffarel. 1 a 1. O Vélodrome silenciou parcialmente. O golpe fatal veio aos 89 minutos. Flo foi derrubado na área por Gonçalves. Pênalti claro. Kjetil Rekdal, capitão e homem de confiança, tomou a responsabilidade. Com frieza, deslocou Taffarel e colocou a Noruega na frente: 2 a 1. Delírio norueguês. Lágrimas e incredulidade no lado brasileiro. O árbitro Esfandiar Baharmast (Irã) encerrou a partida instantes depois. A Noruega celebrava uma das maiores vitórias de sua história. O Brasil, mesmo classificado, saía de campo com a sensação de humilhação.
Análise tática e individual: Zagallo optou por um time com Cafu, Júnior Baiano, Roberto Carlos, Dunga, Leonardo, Rivaldo, Denílson, Bebeto e Ronaldo. Faltou intensidade no meio-campo e atenção na marcação dos laterais noruegueses. Ronaldo, embora perigoso, não viveu seu melhor dia. Bebeto foi o destaque positivo, mas isolado no segundo tempo. Do lado norueguês, o técnico Egil Olsen montou uma equipe compacta, com forte presença no meio (Rekdal, Leonhardsen, Strand) e velocidade no ataque com Flo e Solskjær. A defesa foi impecável, e o contra-ataque mortal. Flo e Rekdal foram os heróis da virada.
Repercussão imediata: No Brasil, a derrota gerou surpresa e críticas. Jornais matinais já questionam se o favoritismo excessivo não teria relaxado a equipe. “Noruega expõe falhas brasileiras”, deve estampar manchetes hoje. Zagallo, experiente, deve minimizar o revés, lembrando que o foco agora são as oitavas. Na Noruega, é feriado nacional antecipado. O país, que nunca havia brilhado tanto em uma Copa, sonha alto. Avançar às oitavas já é histórico; sonhar com quartas não é mais utopia.
Contexto do Grupo A: Com a vitória, a Noruega terminou com 5 pontos (1 vitória e 2 empates), garantindo a segunda vaga. O Brasil, com 6 pontos, liderou o grupo. Marrocos (4 pontos) e Escócia (1 ponto) deram adeus. A virada norueguesa tirou o Marrocos da classificação na última rodada — um drama extra para os africanos. Esta partida entra para a história como uma das maiores zebras da Copa de 1998. O Brasil, favorito ao título, foi surpreendido por uma Noruega disciplinada e corajosa. O futebol, mais uma vez, prova que não há jogo ganho antes do apito final. Zagallo terá trabalho para motivar o elenco. A Seleção segue viva, mas o alerta está ligado. Nas oitavas, o adversário será o Chile. Já a Noruega enfrenta a forte Itália. Seja qual for o caminho, esta noite em Marselha jamais será esquecida.
➯ Com essa vitória a Noruega classificou-se para as Oitavas de Final;
➯ Esta foi a primeira vez que Brasil e Noruega se enfrentam numa copa do mundo;
➯ No outro Jogo do Grupo: Escócia 0 x 3 Marrocos, Stade Geoffroy-Guichard;
➯ Classificação: 1º Brasil (6); 2° Noruega (5); 3º Marrocos (4) e 4º Escócia (1 ponto);
➯ Uniforme do Brasil: Camisa Amarela, Calção Azul e Meias Brancas (Nike);
➯ Uniforme da Noruega: Camisa Vermelha, Calção Branco e Meias Azul-Escuro (Umbro);
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Em Pé: Roberto Carlos, o goleiro Taffarel, Gonçalves, Rivaldo, Júnior Baiano e Cafu;
Agachados: Ronaldo, Leonardo, Denilson, Bebeto e Dunga (capitão); Crédito: www.gettyimages.pt/Christophe-Simon/AFP
Em Pé: Kjetil Rekdal, Tore Flo, Vidar Riseth, Ronny Johnsen, Henning Berg e Stig Bjørnebye;
Agachados: Dan Eggen, Håvard Flo, Øyvind Leonhardsen, Frode Grodås e Roar Strand; Crédito: www.gettyimages.com/Tony-Marshall
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