Brasil Empata com a Noruega, em Oslo, na Estréia do Técnico Dunga
OSLO – Em uma noite fria e úmida no Ullevaal Stadion, a Seleção Brasileira estreou o novo técnico Dunga com um empate por 1 a 1 contra a Noruega, em amistoso realizado na última quarta-feira. O gol norueguês saiu cedo no segundo tempo, pelos pés de Morten Gamst Pedersen, e Daniel Carvalho empatou pouco depois, em lance bem construído. O resultado mantém a invencibilidade da Noruega diante do Brasil em todos os confrontos da história.
Dunga, nomeado no final de julho após a eliminação na Copa do Mundo da Alemanha, optou por um time experimental, sem os principais astros como Ronaldinho, Kaká e Ronaldo. A formação inicial teve Heurelho Gomes no gol; Cicinho, Lúcio, Juan e Gilberto na defesa; Edmílson e Gilberto Silva no meio; Elano, Daniel Carvalho e Robinho no apoio; e Fred como centroavante. Era uma equipe em transição, com vários jogadores atuando no exterior e jovens em busca de espaço. Do lado norueguês, o técnico Åge Hareide escalou um time competitivo, com Thomas Myhre no gol, uma defesa sólida com Brede Hangeland e Erik Hagen, e ataque liderado por Ole Gunnar Solskjær e John Carew. Morten Gamst Pedersen, habilidoso meia do Blackburn Rovers, foi o grande destaque da casa. O estádio recebeu cerca de 25 mil torcedores, que lotaram as arquibancadas e criaram uma atmosfera vibrante para um amistoso de meio de semana.
Primeiro Tempo Morno: O jogo começou com a Noruega mais organizada, explorando as laterais e o físico de seus jogadores. A Seleção Brasileira demorou a entrar no ritmo, pecando na precisão dos passes e na criação. Robinho tentou alguns dribles, mas encontrou uma muralha norueguesa bem postada. Fred, centralizado, teve poucas oportunidades claras no primeiro tempo. A Noruega ameaçou em contra-ataques rápidos, aproveitando a velocidade de Carew e a experiência de Solskjær. Gomes, o goleiro brasileiro, precisou intervir em duas ou três bolas cruzadas perigosas. O Brasil melhorou aos poucos, com Elano e Daniel Carvalho tentando ligar o meio com o ataque, mas a primeira etapa terminou sem gols, com o placar em 0 a 0. Os donos da casa saíram aplaudidos pela torcida por conterem o talento brasileiro.
Reação no Segundo Tempo: Logo aos 51 minutos, a Noruega abriu o placar. Em um lance de bola parada ou cruzamento pela esquerda, Morten Gamst Pedersen finalizou com precisão, vencendo Gomes. O gol foi um balde de água fria na delegação brasileira, mas serviu como despertador. Dunga, da beira do campo, gesticulava pedindo mais intensidade e organização.
A resposta veio rápida. Aos 62 minutos, o Brasil empatou. Fred, bem posicionado, recebeu na área e deu um passe inteligente para Daniel Carvalho. O meia, com frieza, dominou e chutou no canto, sem chance para Myhre. Foi o primeiro gol de Carvalho com a amarelinha e um alívio para a torcida brasileira presente e os milhões que acompanhavam pela televisão. O gol mostrou que, mesmo sem as estrelas, o talento individual da Seleção pode decidir jogos. Após o empate, o Brasil cresceu no jogo. Robinho e Elano passaram a criar mais perigo. Dunga promoveu mudanças: Maicon entrou no lugar de Cicinho, Dudu Cearense reforçou o meio, e Vágner Love substituiu Carvalho mais tarde. A Noruega também mexeu, colocando Daniel Braaten e outros para manter o ímpeto.
Nos minutos finais, a Seleção pressionou em busca da virada. Fred teve uma chance clara, mas parou em boa defesa de Myhre. A Noruega se fechou bem, com Hangeland e companhia formando uma barreira quase intransponível. O árbitro escocês Stuart Dougal apitou o fim do jogo com o placar em 1 a 1. Houve cartões amarelos para Rambekk, Edmílson e outros, mas sem maiores incidentes.
Análise do Desempenho: O empate deixa lições para Dunga. A defesa, com Lúcio e Juan, mostrou solidez, mas o time ainda precisa de mais entrosamento. O meio-campo, com Gilberto Silva como âncora, cumpriu o papel, mas a criação dependeu muito de inspirações individuais. No ataque, Fred foi guerreiro, mas isolado em alguns momentos. Robinho foi o mais criativo, porém faltou capricho nas finalizações. Para a Noruega, o resultado é positivo. Manter a invencibilidade histórica contra o pentacampeão do mundo reforça o orgulho local. Pedersen foi eleito o melhor em campo pela torcida, e o sistema defensivo funcionou perfeitamente contra o talento sul-americano. Solskjær, mesmo não marcando, deu experiência ao ataque. Este amistoso marca o início de um novo ciclo para o Brasil, rumo à Copa de 2010 na África do Sul. Dunga, ex-capitão campeão em 1994, sabe da pressão. “Foi um bom teste. Enfrentamos uma equipe forte fisicamente e organizada. Vamos trabalhar para evoluir”, disse o treinador após o jogo, em tom cauteloso mas otimista.A torcida brasileira, mesmo longe, esperava mais. Críticas pontuais surgiram sobre a lentidão inicial, mas o empate fora de casa contra um adversário que nunca perdeu para o Brasil é aceitável nesta fase de reconstrução. O próximo desafio será mais exigente, contra a Argentina, em setembro.
Contexto Histórico: A Noruega tem um retrospecto peculiar contra o Brasil: vitórias em 1997 e 1998 (Copa do Mundo), empates em 1988 e agora em 2006. É a única seleção que nunca perdeu para os brasileiros em confrontos oficiais ou amistosos. Esse tabu intriga e motiva os noruegueses, que jogam com garra extra contra a Seleção. Para o futebol brasileiro, o jogo serviu como laboratório. Jogadores como Daniel Carvalho, Elano e Maicon ganharam minutos importantes e mostraram valor. A ausência dos craques permitiu que Dunga testasse combinações novas, preparando o terreno para um time mais equilibrado, com marcação forte e transições rápidas – filosofia que o treinador sempre pregou como jogador. O Ullevaal Stadion, com sua arquitetura imponente e o frio típico da Escandinávia, proporcionou um cenário desafiador. O gramado pesado no segundo tempo favoreceu o jogo mais direto da Noruega, enquanto o Brasil tentava impor sua técnica. No fim, o empate foi justo: Noruega pela organização e o gol de oportunidade; Brasil pela reação e qualidade individual.
Olhando para Frente: Dunga tem agora a missão de montar um grupo competitivo. A base da defesa parece sólida, mas o ataque precisa de mais opções. O retorno gradual de Ronaldinho, Kaká e outros será fundamental. Este 1 a 1 serve como alerta: mesmo em amistosos, o Brasil é sempre cobrado por vitórias convincentes. Do lado norueguês, a campanha para as Eliminatórias Europeias ganha moral. Jogadores como Pedersen e Hangeland mostraram que podem competir em alto nível.Em resumo, uma noite de futebol correto no norte da Europa. O Brasil não venceu, mas também não perdeu. Dunga inicia sua jornada com um ponto, experiência e muito trabalho pela frente. A torcida, como sempre, espera que a amarelinha brilhe mais nas próximas partidas. O futebol segue seu curso, cheio de lições e promessas.
➯ Amistoso de preparação do Brasil visando a Copa América de 2007;
➯ Este jogo marcou a estréia de Dunga no comando da seleção brasileira;
➯ Estreantes: Daniel Carvalho (atacante do CSKA Moscou) e o técnico Dunga;
➯ Uniforme do Brasil: Camisa Amarela, Calção Azul e Meias Brancas (Nike);
➯ Uniforme da Noruega: Camisa Vermelha, Calção Branco e Meias Pretas (Umbro);
➯ Ranking da FIFA: Brasil é 1º e a Noruega a 52ª colocada;
❏ Todos os Jogos: Brasil x Noruega (Head to Head: Brazil vs Norway) →
Um comentário:
lembro desse jogo na globo
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